O segundo dia da Semana de Orienta\u00e7\u00e3o recebeu a roteirista, diretora, atriz, escritora e ex-aluna do curso de Interpreta\u00e7\u00e3o<\/a> da AIC, Ana Carolina Marinho<\/strong>, para um bate-papo sobre o seu processo criativo e como ser uma profissional multitarefas na ind\u00fastria audiovisual.<\/p>\n
Ana iniciou sua palestra compartilhando sobre a sua vinda de Natal (RN) para S\u00e3o Paulo com o desejo de se tornar atriz. Ao chegar, conheceu o teatro documental e aprofundou-se em aprender a contar hist\u00f3rias reais. Nesse per\u00edodo, foi convidada pelo ex-aluno do filmworks<\/a> e diretor Cristiano Burlan<\/strong><\/a> para atuar em Hamlet<\/a> e, a partir de ent\u00e3o, come\u00e7ou a sua carreira no audiovisual.<\/p>\n
A diretora<\/a> foi bastante sincera sobre os desafios enfrentados durante a concep\u00e7\u00e3o dos seus filmes, principalmente no que tange os aspectos financeiros. Para ela, os realizadores n\u00e3o devem romantizar os filmes de baixo or\u00e7amento, por\u00e9m n\u00e3o podem deixar de contar as suas hist\u00f3rias esperando a quantia ou o momento ideal.<\/p>\n
Para ela, um filme que saiu dessa curva foi M\u00e3e<\/em>, de Cristiano Burlan<\/strong>, no qual ela assinou o roteiro<\/a>. M\u00e3e<\/em> \u00e9 o filme mais convencional, pois seguiu essa regra do cinema feito por editais. Todos os outros foram feitos na Guerrilha. E mesmo assim ele \u00e9 considerado um filme de baixo or\u00e7amento, que s\u00e3o 2 milh\u00f5es de reais, o que \u00e9 engra\u00e7ado porque eu estava acostumada com filmes de 10 mil\u201d.<\/p>\n
Ana Carolina estreou como diretora de longa-metragem no filme \u201cEu tamb\u00e9m n\u00e3o Gozei\u201d, que estreou na 27\u00aa Mostra de Tiradentes<\/a>. Ela dividiu sobre como a hist\u00f3ria surgiu, quando soube que uma amiga estava gr\u00e1vida e com 4 homens podendo ser o pai. Quando ela soube da hist\u00f3ria, surgiu o interesse em fazer um filme e, logo na semana seguinte, come\u00e7aram as filmagens.<\/p>\n
Algumas das perguntas feitas pelo p\u00fablico foram como driblar situa\u00e7\u00f5es enfrentadas pelas mulheres em um mercado ainda monopolizado por homens.<\/p>\n
Para Ana Carolina, o machismo existe, por\u00e9m n\u00e3o foi o principal fator que a esbarrou em seus trabalhos. Para ela, o fato de ser nordestina a tirou de mais locais e oportunidades.<\/p>\n
\u201cMais do que ser mulher, \u00e9 ser nordestina. Minhas alian\u00e7as foram fundamentais para me proteger de muitas situa\u00e7\u00f5es. O fato de ser nordestina, apesar de n\u00e3o estar no estigma nordestino, que cruza quest\u00f5es raciais, fez com que a minha fala me retirasse de muitos lugares. Isso \u00e9 algo que eu tenho consci\u00eancia e vivi muito nessa cidade\u201d.<\/p>\n
Segunda Ana Carolina, ela viveu a misoginia escancarada durante o Festival de Tiradentes ao ouvir coment\u00e1rios, como \u201cse bem que ela (a protagonista) poderia ter pedido para os homens usarem camisinha\u201d ou \u201cesse filho a\u00ed \u00e9 meu, vou cobrar paternidade\u201d. Ana compartilhou que ela e toda a equipe ficaram paralisadas e horrorizadas com os coment\u00e1rios, sem saber como reagir.<\/p>\n
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Para aumentar a representatividade de mulheres no audiovisual, ela sugeriu que as mulheres participem de editais e festivais voltados para realizadoras, pois muitos desses eventos promovem debates e di\u00e1logos, oferecendo oportunidades para conhecer outras profissionais. Al\u00e9m disso, destaca a import\u00e2ncia de estabelecer parcerias e construir alian\u00e7as, permitindo sinalizar se algum amigo(a) ultrapassou determinados limites.<\/p>\n
Um dos festivais recomendados por ela \u00e9 o Cine Marias, em Vit\u00f3ria (ES), que n\u00e3o apenas promove debates, mas tamb\u00e9m se preocupa com a capacita\u00e7\u00e3o das mulheres. A discuss\u00e3o inclui a aus\u00eancia de figuras femininas liderando equipes criativas e a predomin\u00e2ncia de mulheres na dire\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios<\/a> em compara\u00e7\u00e3o com a fic\u00e7\u00e3o.”<\/p>\n
Realidade de muitos profissionais do audiovisual, Ana Carolina \u2013 que come\u00e7ou na atua\u00e7\u00e3o \u2013 percebeu que teria que desenvolver seus pr\u00f3prios projetos para conseguir permanecer na \u00e1rea. \u201cQuando eu migrei eu n\u00e3o cumpria uma s\u00e9rie de expectativas para me encaixar no projeto de outras pessoas, ent\u00e3o entendi que precisaria construir meus personagens para me encaixar e comecei a produzir meus pr\u00f3prios projetos\u201d.<\/p>\n
Para ela, uma situa\u00e7\u00e3o inusitada \u00e9 trabalhar em uma s\u00f3 \u00e1rea, como \u00e9 o caso de ser roteirista em um longa-metragem de anima\u00e7\u00e3o de uma grande produtora, que ela preferiu n\u00e3o entrar em detalhes.<\/p>\n
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O processo de roteirizar \u00e9 visualizar o filme na sua cabe\u00e7a. Para Ana Carolina, o roteirista deve ser cauteloso para n\u00e3o invadir a fun\u00e7\u00e3o e a criatividade de outros profissionais, como diretores e diretores de fotografia. \u201cNenhum roteiro que eu fa\u00e7o tem planos, eu simplesmente descrevo a cena. Esse \u00e9 meu processo, eu penso em tudo, mas n\u00e3o coloco o que cada fun\u00e7\u00e3o deve fazer. Se voc\u00ea \u00e9 roteirista, eu acho de bom tom e generoso dar espa\u00e7o para os diretores e diretores de fotografia pensarem e decuparem com os seus olhares\u201d.<\/p>\n
Al\u00e9m disso, ela defende a fun\u00e7\u00e3o da montagem para al\u00e9m de s\u00f3 editar o material, mas como um novo filme contado. \u201cA montagem n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma edi\u00e7\u00e3o<\/a> de como foi roteirizado, a montagem pode mudar o filme inteiro e precisamos dar espa\u00e7o para outras pessoas criarem e constru\u00edrem\u201d.<\/p>\n
Fa\u00e7a a sua inscri\u00e7\u00e3o, \u00e9 gratuita e limitada.\u00a0<\/a><\/p>\n
*Texto Caroline Cherulli e Fotos Victor Poncioni.<\/em><\/p>\n